quarta-feira, 28 de abril de 2021

Documentos da CIA reconhecem seu papel no golpe de 1953 do Irã

 




Por BBC News

A CIA divulgou documentos que, pela primeira vez, reconhecem formalmente seu papel fundamental no golpe de 1953 que depôs o primeiro-ministro democraticamente eleito do Irã, Mohammad Mossadeq.

Os documentos foram publicados no Arquivo de Segurança Nacional independente no 60º aniversário do golpe.

Eles vêm da história interna da CIA do Irã em meados da década de 1970.

"O golpe militar ... foi realizado sob a direção da CIA como um ato da política externa dos Estados Unidos", diz um trecho.

O papel dos EUA no golpe foi mencionado abertamente pela então secretária de Estado americana Madeleine Albright em 2000, e pelo presidente Barack Obama em um discurso de 2009 no Cairo.

Mas até agora as agências de inteligência emitiram "negações gerais" de seu papel, diz o editor do tesouro de documentos, Malcolm Byrne.

Acredita-se que esta seja a primeira vez que a própria CIA admitiu o papel que desempenhou em conjunto com a agência de inteligência britânica, MI6.

Byrne diz que os documentos são importantes não apenas para fornecer "novos detalhes, bem como insights sobre as ações da agência de inteligência antes e depois da operação", mas porque "partidários políticos de todos os lados, incluindo o governo iraniano, regularmente invocam o golpe".

Os documentos foram obtidos de acordo com a Lei de Liberdade de Informação do National Security Archive, uma instituição não governamental de pesquisa com sede na George Washington University.

Os iranianos elegeram Mossadeq em 1951 e ele rapidamente passou a renacionalizar a produção de petróleo do país, que estava sob controle britânico através da Anglo-Persian Oil Company - que mais tarde se tornou British Petroleum ou BP.

Isso foi uma fonte de sérias preocupações para os EUA e o Reino Unido, que viam o petróleo iraniano como a chave para sua reconstrução econômica no pós-guerra.

A Guerra Fria também foi um fator nos cálculos.

"Estimava-se que o Irã corria perigo real de ficar para trás da Cortina de Ferro; se isso acontecesse, significaria uma vitória dos soviéticos na Guerra Fria e um grande revés para o Ocidente no Oriente Médio", diz o golpe o planejador Donald Wilber em um documento escrito meses após a queda.

"Nenhuma ação corretiva além do plano de ação encoberto estabelecido abaixo poderia ser encontrada para melhorar o estado de coisas existente."

Os documentos mostram como a CIA se preparou para o golpe ao colocar histórias anti-Mossadeq na mídia iraniana e norte-americana.

O golpe fortaleceu o governo do xá Mohammad Reza Pahlavi - que acabara de fugir do Irã após uma luta pelo poder com Mossadeq e voltou após o golpe, tornando-se um aliado próximo dos EUA.

As agências de inteligência dos EUA e do Reino Unido apoiaram as forças pró-Shah e ajudaram a organizar protestos anti-Mossadeq.

"O Exército logo se juntou ao movimento pró-Shah e ao meio-dia daquele dia ficou claro que Teerã, assim como certas áreas provinciais, eram controladas por grupos de rua pró-Shah e unidades do Exército", escreveu Wilber.

"No final de 19 de agosto ... membros do governo Mossadeq estavam escondidos ou presos."

O Shah voltou ao Irã após o golpe e só deixou o poder em 1979, quando foi deposto na revolução islâmica.

 

domingo, 4 de abril de 2021

O ÊXODO DESMONTADO: COMO A ARQUEOLOGIA, A EGIPTOLOGIA E A HISTÓRIA ANTIGA DEMOLIRAM A NARRATIVA DA ESCRAVIDÃO HEBRAICA NO EGITO

 


Por Guilherme Bitencourt

Durante séculos, a narrativa bíblica do Êxodo foi tratada como um relato histórico praticamente incontestável no imaginário popular ocidental. Filmes, tradições religiosas e leituras literalistas transformaram Moisés, as dez pragas, a fuga em massa do Egito e a travessia milagrosa do mar em acontecimentos considerados históricos por milhões de pessoas. No entanto, quando submetida ao crivo rigoroso da arqueologia moderna, da egiptologia acadêmica e dos estudos históricos do Levante, a narrativa começa a apresentar problemas monumentais — problemas tão profundos que hoje o consenso acadêmico predominante considera improvável que o Êxodo tenha ocorrido da maneira descrita na Bíblia.

O texto de Philippe Bohstrom procura criar uma aparência de sustentação histórica para o Êxodo através de uma técnica bastante comum em apologética histórica: reunir elementos reais do contexto do antigo Oriente Próximo — presença semita no Egito, escravidão de estrangeiros, migrações cananeias, influência egípcia em Canaã — e então sugerir que esses elementos constituem evidência indireta da narrativa bíblica. O problema é que evidência contextual não equivale a comprovação histórica. O fato de semitas viverem no Egito não prova que os hebreus bíblicos estiveram lá em massa.

A primeira grande fragilidade do texto está justamente em sua confusão sistemática entre “semitas”, “cananeus” e “israelitas”. Esse é um erro metodológico extremamente sério. O termo “semita” refere-se a um conjunto linguístico e cultural muito amplo, que incluía cananeus, fenícios, amoritas, arameus, sírios e diversos povos do Levante. Os egípcios frequentemente chamavam esses povos genericamente de “asiáticos” ou “Aamu”. A presença desses grupos no Delta do Nilo é fartamente documentada desde o Império Médio. Mas nada disso constitui evidência da presença dos israelitas bíblicos.

O arqueólogo Israel Finkelstein, um dos maiores especialistas vivos em Israel antigo, afirma em The Bible Unearthed que não existe qualquer evidência arqueológica de um Êxodo em larga escala vindo do Egito. Segundo Finkelstein, o antigo Israel surgiu gradualmente a partir da própria população cananeia das terras altas de Canaã durante a Idade do Ferro. Em outras palavras: os primeiros israelitas eram, essencialmente, cananeus que passaram por transformações sociais, econômicas e religiosas internas.

Isso é confirmado por inúmeros estudos arqueológicos. Os assentamentos israelitas mais antigos apresentam continuidade direta com a cultura material cananeia: mesma cerâmica, mesma arquitetura doméstica, mesmas ferramentas agrícolas e até hábitos alimentares semelhantes. O historiador das religiões Mark S. Smith demonstra em The Early History of God que a religião israelita primitiva emergiu do próprio ambiente religioso cananeu. Yahweh não surgiu inicialmente como um deus completamente separado do universo religioso levantino; pelo contrário, foi incorporado gradualmente ao panteão semítico regional antes da consolidação do monoteísmo tardio.

O texto de Bohstrom utiliza o famoso mural da tumba de Khnumhotep II como se fosse uma espécie de indício da entrada dos hebreus no Egito. Entretanto, esse mural apenas mostra um pequeno grupo de asiáticos entrando no Egito com animais e mercadorias, algo absolutamente comum na época. Não há qualquer referência a Israel, Yahweh, Moisés ou escravidão. O egiptólogo James K. Hoffmeier reconhece que a imagem comprova apenas a existência de migrações levantinas normais para o Egito. Transformar esse grupo em proto-israelitas é pura especulação.

A situação torna-se ainda mais problemática quando o texto tenta associar os hicsos aos hebreus. Os Hicsos eram governantes estrangeiros de origem levantina que dominaram parte do Delta do Nilo durante o Segundo Período Intermediário. Mas eles não eram escravos oprimidos: eram reis, aristocratas militares e administradores poderosos. A tentativa de relacioná-los ao Êxodo existe desde Flávio Josefo, que reinterpretou os escritos de Manetão em chave judaica. Porém, a maioria esmagadora dos egiptólogos modernos rejeita essa associação direta.

O egiptólogo Donald B. Redford observa que os hicsos eram culturalmente cananeus plenamente integrados ao sistema político egípcio. Sua expulsão do Egito foi resultado de conflitos dinásticos e militares, não de uma libertação de escravos. Além disso, a cronologia dos hicsos não corresponde adequadamente aos períodos tradicionalmente associados ao Êxodo bíblico.

Mas o problema central continua sendo a absoluta ausência de evidência arqueológica no Sinai. Segundo o relato bíblico, centenas de milhares de pessoas — talvez mais de dois milhões — vagaram durante quarenta anos pelo deserto. Uma população desse tamanho teria deixado marcas arqueológicas gigantescas: acampamentos, restos de cerâmica, cemitérios, fogueiras, ossadas humanas e animais, ferramentas de pedra e metal, resíduos orgânicos e inúmeros outros vestígios.

Nada disso foi encontrado.

O arqueólogo William G. Dever foi categórico ao afirmar que não existe sequer uma única evidência arqueológica do Êxodo. O Sinai foi extensivamente pesquisado durante décadas por arqueólogos israelenses, americanos e europeus. Mesmo grupos nômades pequenos deixam rastros detectáveis. A ideia de que centenas de milhares de pessoas vagaram durante quarenta anos sem deixar absolutamente nenhum vestígio contradiz completamente o funcionamento da arqueologia moderna.

O texto tenta escapar desse problema alegando que estruturas de barro no Delta do Nilo se dissolvem facilmente e que os registros administrativos desapareceram. Isso não resolve a questão. Mesmo que documentos escritos tenham sido perdidos, populações humanas deixam resíduos materiais. A arqueologia moderna reconstrói sociedades inteiras a partir de fragmentos microscópicos de cerâmica, sementes carbonizadas e restos ósseos. O silêncio arqueológico em relação ao Êxodo não é um detalhe menor: é um problema devastador.

Outro ponto ignorado pelo texto é que a própria conquista de Canaã narrada na Bíblia contradiz frontalmente a arqueologia. Jericó, famosa pela queda milagrosa de suas muralhas, já estava destruída ou desocupada no período tradicionalmente atribuído a Josué. A arqueóloga Kathleen Kenyon demonstrou isso de forma conclusiva em suas escavações. A cidade de Ai também estava abandonada havia séculos. Ou seja: as cidades que Josué supostamente conquistou sequer existiam como centros urbanos fortificados naquele momento histórico.

Isso levou muitos estudiosos a concluir que a conquista militar de Canaã descrita na Bíblia jamais aconteceu da forma apresentada. O arqueólogo Amihai Mazar reconhece que os dados arqueológicos apontam muito mais para um surgimento gradual dos israelitas dentro da sociedade cananeia do que para uma invasão estrangeira repentina.

O texto de Bohstrom também exagera enormemente o valor do papiro Admonitions of Ipuwer, frequentemente usado por apologistas como uma suposta confirmação das pragas do Egito. Contudo, especialistas em literatura egípcia antiga há muito demonstraram que o texto pertence ao gênero literário pessimista, descrevendo caos social e inversão da ordem cósmica — um tema comum na literatura egípcia. O egiptólogo John Van Seters considera completamente fantasiosa a associação entre o papiro e o Êxodo. As supostas semelhanças são vagas, genéricas e típicas de textos de calamidade do antigo Oriente Próximo.

Outro problema sério do texto é a tentativa de transformar nomes semíticos encontrados no Egito em evidência israelita. O caso de Aper-el é emblemático. O elemento “El” era amplamente utilizado em nomes semíticos de toda a região levantina. Não indica necessariamente ligação com o Deus de Israel. Quanto à tentativa de associar “Ia” a Yahweh, isso permanece altamente especulativo e sem aceitação ampla na academia. O simples fato de nomes semíticos existirem no Egito não prova a presença dos hebreus bíblicos.

A conexão proposta entre Akhenaton e o monoteísmo israelita também é extremamente controversa. Embora alguns autores tenham especulado sobre influências indiretas, a maioria dos estudiosos considera impossível estabelecer qualquer relação histórica concreta entre o culto de Aton e o monoteísmo judaico posterior. O culto atonista era uma reforma religiosa estatal egípcia profundamente diferente da teologia israelita.

O texto menciona corretamente a Estela de Merneptah, primeira menção conhecida de “Israel”. Porém, essa estela apenas demonstra que um grupo chamado Israel existia em Canaã por volta de 1208 a.C. Não diz absolutamente nada sobre escravidão no Egito, Moisés ou êxodo. Na verdade, reforça a ideia de que Israel já estava estabelecido em Canaã naquele período.

Outro argumento recorrente em apologias do Êxodo é a afirmação de que os egípcios apagavam derrotas embaraçosas. Embora seja verdade que faraós manipulavam propaganda estatal, isso não explica a ausência total de evidência material. Mesmo que documentos oficiais fossem destruídos, um evento envolvendo colapso econômico, pragas nacionais e perda massiva de mão de obra deixaria impactos arqueológicos profundos. Além disso, os egípcios registraram crises e derrotas em outros contextos históricos. O silêncio absoluto sobre o Êxodo continua extremamente significativo.

A tentativa de reinterpretar a palavra hebraica “eleph” para reduzir os números do Êxodo revela outro problema: a própria narrativa precisa ser constantemente reinterpretada para escapar do absurdo histórico. Se os números bíblicos não podem ser lidos literalmente, então o texto já está sendo reconhecido como problemático em sua forma histórica original. E mesmo reduzindo drasticamente a população, continua faltando qualquer evidência arqueológica correspondente.

Hoje, o consenso predominante entre arqueólogos e historiadores do Levante é que o Êxodo, se possui algum núcleo histórico, provavelmente preserva memórias fragmentadas de pequenos movimentos populacionais, experiências de escravidão e contatos culturais entre Canaã e Egito. Não há suporte arqueológico para a ideia de centenas de milhares de hebreus escravizados escapando milagrosamente do Egito, vagando quarenta anos no Sinai e conquistando militarmente Canaã.

O mais provável, segundo a arqueologia contemporânea, é que a narrativa do Êxodo tenha sido elaborada muitos séculos depois como mito nacional fundacional. Assim como Roma possuía Rômulo e Remo e os gregos possuíam suas genealogias heroicas, Israel desenvolveu uma narrativa poderosa de libertação coletiva para explicar sua identidade religiosa e política.

Isso não significa que o Êxodo seja desprovido de valor cultural ou espiritual. Significa apenas que história e memória religiosa não são a mesma coisa. A arqueologia moderna não destruiu apenas detalhes da narrativa bíblica: ela abalou os próprios alicerces históricos do Êxodo literal. O que emerge das escavações não é um povo estrangeiro recém-chegado do Egito conquistando Canaã, mas uma transformação lenta e interna da própria sociedade cananeia.

Em suma, o texto de Philippe Bohstrom constrói uma ilusão de plausibilidade histórica baseada em associações indiretas, hipóteses especulativas e paralelos frágeis. A presença de semitas no Egito é fato. A escravidão de estrangeiros também. Mas nenhuma dessas coisas comprova a existência histórica do Êxodo bíblico. Pelo contrário: quanto mais a arqueologia avança, mais a narrativa tradicional parece pertencer ao campo da teologia, da memória coletiva e do mito nacional — não ao da história verificável.

Bibliografia

The Bible Unearthed — Israel Finkelstein e Neil Asher Silberman
Egypt, Canaan and Israel in Ancient Times — Donald B. Redford
What Did the Biblical Writers Know and When Did They Know It? — William G. Dever
The Early History of God — Mark S. Smith
On the Reliability of the Old Testament — Kenneth Kitchen
Ancient Israel in Sinai — James K. Hoffmeier
Moses the Egyptian — Jan Assmann
In Search of History — John Van Seters
The Archaeology of the Land of Israel — Amihai Mazar
 



quarta-feira, 10 de março de 2021

Oito sinais que podem ajudá-lo a reconhecer se você está lidando com uma pessoa genuína ou falsa

Por Lado Positivo

 

Às vezes, pode ser muito difícil distinguir se as intenções de uma
pessoa são verdadeiras ou não. Algumas pessoas fingem ser sinceras quando precisam de algo de você e se você não quer se ver em uma situação desagradável, preste atenção aos sinais que podem ajudá-lo a descobrir com que tipo de pessoa está lidando. As coisas a observar são simples, mas é necessário conhecê-las para percebê-las.

Foram destacados 8 sinais que podem ajudá-lo a identificar pessoas verdadeiramente genuínas daquelas que não são sinceras. Também coletamos exemplos para que seja muito mais fácil lembrar desses sinais.

 

8. Pessoas falsas respeitam apenas aqueles que têm poder e riqueza. Pessoas genuínas respeitam a todos.

Quando uma pessoa não está apenas interessada em seu próprio ganho, ela não tende a se importar tanto com o status social dos outros. Pessoas que não são falsas respeitam os traços de personalidade e as características das pessoas. Por exemplo, se você der uma olhada no personagem fictício, Harry Potter, dos livros de JK Rowling, você notará que ele nunca se importou com o status social de seus amigos, enquanto Malfoy sempre julgava as pessoas com base em quão poderosas ou ricas elas eram.

 

7. Pessoas falsas querem se beneficiar de tudo ao seu redor. Pessoas genuínas nunca tentam manipular os outros.

Você pode imaginar uma pessoa genuína tentando manipular alguém? Estamos falando sobre o uso de métodos desonestos de persuasão para fazer os outros fazerem o que é melhor para o manipulador, sem qualquer consideração pelo bem-estar das pessoas envolvidas. Por exemplo, Lucy, a personagem principal de As Crônicas de Nárnia, nunca tentou mudar os outros, ao contrário de seu primo, Eustace, que usou a força e ameaçou as pessoas para que fizessem o que ele queria que fizessem.

 

6. Uma pessoa falsa gosta de atenção. Uma pessoa genuína não gosta de atrair isso.

Pessoas autossuficientes não sentem a necessidade de atrair a atenção das pessoas ao seu redor porque não acham necessário provar nada para a sociedade. Lembra do Shrek do famoso desenho animado? Ele nunca quis ser popular e sempre fazia o que era confortável para ele. Por outro lado, o Príncipe Encantado sofria com a falta de atenção e estava disposto a ir contra muitos princípios morais apenas para ser notado.

 

5. Pessoas falsas sempre se gabam. Pessoas genuínas são humildes.

Pessoas genuínas não se gabam de suas realizações e não tentam atrair tanta atenção para si mesmas quanto possível. Uma maneira de identificar uma pessoa falsa é perceber que ela está se gabando de si mesma e de suas realizações. O clássico conto de fadas, A Bela e a Fera , nos mostra uma ótima comparação entre a Fera, que era muito inteligente e lia muitos livros, mas nunca se gabava de como era inteligente, e Gastão, o homem que sempre exagerou e se gabou de todos os coisas magníficas que ele nunca fez.

 

4. Pessoas falsas fofocam muito. Pessoas genuínas não têm medo de dar sua opinião.

Força de vontade e princípios morais elevados estão no cerne da capacidade de expressar abertamente seu ponto de vista. Como a opinião de uma pessoa pode ser diferente da opinião da maioria, é necessário ter coragem suficiente para enfrentar a multidão. A "Inafundável Molly Brown " foi uma personagem do filme Titanic e uma verdadeira passageira a bordo do navio que é retratada como uma mulher forte que nunca fofoca e nunca se conforma com as regras da multidão de elite. Ao mesmo tempo, a mãe de Rose não faz absolutamente nenhum esforço quando se trata de espalhar boatos e mentiras.

 

3. Pessoas falsas costumam fazer promessas, mas raramente as cumprem. Pessoas genuínas sempre tentam cumprir suas promessas.

No início do livro de Jane Austen Orgulho e Preconceito, não está claro qual dos 2 personagens é genuíno e qual é falso. Conforme a história continua, aprendemos que o Sr. Wickham não acredita na importância de cumprir suas promessas. Por exemplo, tendo prometido ao pai do Sr. Darcy se tornar um padre, ele muda facilmente seus planos. Apesar de seu comportamento arrogante, o Sr. Darcy sempre foi conhecido por ser um homem de palavra. Por não cumprirmos nossas promessas, podemos facilmente ferir aqueles que se preocupam conosco e isso é algo que uma pessoa verdadeiramente genuína nunca gostaria de fazer .

 

2. Pessoas falsas sempre criticam os outros para fazerem-se parecer melhores em comparação. Pessoas genuínas sempre elogiam e inspiram os outros.

Pessoas falsas sentem a necessidade de rebaixar outras pessoas para fazerem-se parecer melhores. Tentar ter uma aparência melhor às custas de outra pessoa é um sinal claro de uma pessoa falsa. Em O Senhor dos Anéis, de JRR Tolkien , Aragorn sempre fez o melhor para apoiar aqueles ao seu redor. O Capitão de Gondor, por outro lado, sempre tratou seus servos (e até mesmo seu próprio filho) com desrespeito.

 

1. Pessoas falsas só são legais quando precisam de algo. Pessoas genuínas são sempre atenciosas e receptivas.

É uma das características ocultas que podem ajudar a distinguir uma pessoa genuína de uma falsa. Se você fosse Robert Baratheon, o personagem do popular programa de TV e dos romances de fantasia Game of Thrones, provavelmente não perceberia a natureza assustadora de sua esposa Cersei. Ela seria extremamente legal com você enquanto planeja matá-lo ao mesmo tempo. Cersei é sempre gentil com aqueles que podem ser úteis para ela, enquanto Jon Snow é respeitoso com todos que encontra.

Já foi difícil para você distinguir uma pessoa genuína de uma falsa? Ou você acha fácil identificar com que tipo de pessoa está lidando? Compartilhe suas histórias conosco nos comentários!

domingo, 28 de fevereiro de 2021

Mausoléu de Augusto de Roma reabre após 100 anos de abandono


Por Abigail Blasi

Como uma versão antiga do palácio da Bela Adormecida, o Mausoléu de Augusto ficou escondido por quase cem anos. Cercado por ciprestes e pinheiros mediterrâneos, e tomado pela vegetação, a estrutura submersa é um mistério em um dos bairros mais elegantes de Roma. Durante décadas, ele permaneceu isolado, um aterro de lixo e local de congregação para gatos vadios e travessas violentas.

O mausoléu não é mais esquecido. As escavações começaram em 2007, mas os trabalhos começaram a ganhar ritmo há cerca de cinco anos, quando a empresa italiana de telecomunicações TIM contribuiu com € 6 milhões para a renovação. A maior tumba circular do mundo, com 87m de diâmetro, deve finalmente ser aberta ao público hoje, a tempo do aniversário de Roma (21 de abril). Até viajar para a Itália se tornar uma possibilidade (com os dedos cruzados, a partir do final de maio) há sempre o tour virtual.

Augusto, o primeiro imperador de Roma, construiu seu túmulo em 28 AC, pouco depois de ganhar o poder e muitos anos antes de sua morte. Ele não estava apenas pensando no futuro, o edifício era um símbolo poderoso. O arqueólogo Darius Arya, residente em Roma, que oferece palestras, vídeos, podcasts e artigos gratuitos em seu site Ancient Rome Live, explica: “Foi uma declaração decorativa geracional, após a Guerra Civil”.

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Arya acrescenta que, desde a escavação, “agora você pode ver como é enorme. É chamado de mausoléu: uma referência clara a ele, rivalizando com uma das sete maravilhas antigas do mundo, o Mausoléu de Halicarnasso na atual Bodrum.”

Roma estava em guerra consigo mesma há anos antes de Augusto inaugurar um longo período de paz. O mausoléu foi destinado a uma dinastia inteira, e amigos e parentes importantes foram enterrados aqui, incluindo vários dos sucessores ungidos de Augusto, bem como sua influente terceira esposa, Lívia, e seu amigo, o grande general romano Agripa. Foi também o local de descanso final para os descendentes de Augusto, os imperadores Tibério, Calígula e Nerva.

A diretora de campo, Elisabetta Carnabuci, diz que o principal desafio da restauração foi o tamanho épico do monumento, “o grande volume de alvenaria que precisava ser restaurado”, mais de 15 mil m². O cilindro central costumava ter 40m de altura, da altura do Coliseu, revestido de mármore branco e, de acordo com as descrições contemporâneas, encimado por uma estátua de bronze de Augusto. Rodeado por jardins, o túmulo ficava na entrada norte e principal da cidade. Ele pode ser visto a quilômetros.

Carnabuci diz: “O roteiro consiste no interior do monumento com a câmara mortuária e uma nova disposição da área atualmente ocupada pelos ciprestes plantados em 1938”. Darius Arya teve uma prévia do local, “Os visitantes descerão essas novas rampas, passando pela entrada e direto para o centro. Era o núcleo central onde se encontravam todas as urnas funerárias, e contém algumas das inscrições e recipientes nos quais foram inseridas. Você volta pela entrada e pode caminhar nas muralhas externas, de onde você pode olhar para fora da piazza e voltar para o mausoléu.”

Perto da entrada, havia placas de bronze gravadas com o Res Gestae, o próprio relato um tanto parcial de Augusto de suas gloriosas realizações, desde um entretenimento naval de 30 navios realizado em um lago especialmente construído, até sua generosidade para com a plebe.

Parte do texto é transcrito nas paredes modernas do vizinho Museo dell'Ara Pacis, projetado por Richard Meier. Por volta do século 4 D.C, dois obeliscos egípcios de granito vermelho foram adicionados: mais tarde transferidos para fora de Santa Maria Maggiore no Monte Esquilino e o outro para a Piazza del Quirinale.

Embora fechado desde o século passado, o mausoléu esteve em uso por muitos séculos depois de ter sido abandonado como tumba. Na Idade Média, foi transformado em castelo pela nobre família Colonna. Mais tarde, tornou-se jardins suspensos e depois arena de touradas (o que dá uma ideia da escala do monumento). Nos anos 1900, tornou-se uma das salas de música mais famosas da Europa, o Anfiteatro Correa-Augusteo.

Na década de 1930, Mussolini procurou mostrar os edifícios da Roma Antiga para ligar o fascismo italiano às glórias do Império Romano. Arya diz que fez questão de enfatizar a associação com Augusto, um “operador suave”. Mussolini mandou demolir a sala de concertos, arrasou os edifícios medievais circundantes, plantou os ciprestes que hoje vemos e criou a Piazza Augusto Imperatore, com as suas colunatas monumentais. Ele também mudou o Ara Pacis para seu local atual nas proximidades.

A Segunda Guerra Mundial marcou o fim desses grandes projetos e, sem o investimento para regenerar o prédio, ele começou a desaparecer sob a grama rasteira.

Depois de tantas décadas de abandono, este monumento emergiu das sombras, formando uma peça central da piazza dos anos 1930, onde, em mais uma peça de regeneração simbólica, Bvlgari está abrindo um hotel cinco estrelas em 2022.

Itália e Roma ainda permanecem sob fortes restrições para conter a propagação da Covid-19, com a capital apenas tendo emergido do bloqueio no início de fevereiro. No entanto, a restauração do Mausoléu de Augusto, celebrando o legado de um dos imperadores mais hábeis, influentes e complexos de Roma, é um farol de otimismo, olhando para o futuro, para um tempo em que a cidade estará novamente aberta a todos.

 

 

terça-feira, 16 de fevereiro de 2021

Pele escura e olhos azuis: caçadores coletores europeus não se encaixavam nas representações comuns


Por abril Holloway

A imagem popular do caçador-coletor europeu de pele clara não é correta. O DNA retirado de um dente do siso de 7.000 anos encontrado na Espanha em 2006 mostra uma história diferente. Um estudo do dente mostra que o dono do dente tinha cabelos escuros, olhos azuis e os genes de pele escura de um africano - embora os cientistas não saibam qual era o tom exato da pele dessa pessoa. O gene dos olhos azuis é uma das descobertas mais interessantes porque se acreditava anteriormente ter sido uma característica que chegou mais tarde, trazida por fazendeiros que entraram no continente há mais de 5.000 anos.

O estudo de 2014 foi o primeiro a analisar um genoma europeu pré-agrícola. Foi liderado por Inigo Olalde do Institut de Biologia Evolutiva em Barcelona e publicado na revista Nature - fornecendo uma visão significativa sobre a aparência do homem moderno antes do surgimento da agricultura na Europa.

O dente veio do esqueleto de um homem mesolítico que foi encontrado em uma caverna cantábrica perto de León, no noroeste da Espanha, em 2006. Esse homem foi encontrado ao lado do esqueleto de outro homem mesolítico. Ambos morreram com cerca de 30 anos e seus restos mortais foram bem preservados no ambiente fresco da caverna. A idade de seus ossos e outros artefatos encontrados no local, como dentes de rena que tinham buracos para prendê-los às roupas dos homens, mostraram aos pesquisadores que esses dois homens eram caçadores-coletores.

Foram necessárias várias tentativas antes que a equipe de cientistas conseguisse recriar o genoma completo do DNA de uma raiz de dente do siso. Quando finalmente o fizeram, ficaram chocados. O Dr. Carles Lalueza-Fox do Instituto de Biologia Evolutiva de Barcelona explicou a primeira das fascinantes descobertas feitas pelos pesquisadores:

“A maior surpresa foi descobrir que esse indivíduo possuía versões africanas dos genes que determinam a pigmentação clara dos atuais europeus, o que indica que ele tinha pele morena. Você vê um monte de reconstruções dessas pessoas caçando e coletando e eles parecem europeus modernos com pele clara. Você nunca vê uma reconstrução de um caçador-coletor mesolítico com pele escura ”.

Após essa descoberta, os cientistas também ficaram surpresos ao ver os genes do homem para olhos azuis - uma característica inesperada porque se acreditava que os olhos azuis eram um desenvolvimento mais recente. A presença de marcadores genéticos para olhos azuis significa que o homem mesolítico é o exemplo mais antigo de um europeu de olhos azuis. O Dr. Lalueza-Fox disse que este resultado foi ainda mais chocante para a equipe do que a cor da pele do homem mesolítico. “Ainda mais surpreendente foi descobrir que ele possuía as variações genéticas que produzem olhos azuis nos europeus atuais, resultando em um único fenótipo [tipo físico] em um genoma que é claramente do norte da Europa ”.

Um estudo de 2008 mostrou que os olhos azuis provavelmente começaram como uma mutação genética há aproximadamente 10.000 anos. Acredita-se que os primeiros exemplos dessa característica tenham surgido em torno do Mar Negro. O estudo de 2014 sugeriu que qualquer pessoa que tem olhos azuis hoje tem ancestrais que vieram da mesma família que teve a mutação perto do Mar Negro. Os resultados do estudo de 2014 indicam que as pessoas com o gene para olhos azuis percorreram a Europa antes que a agricultura tivesse precedência sobre a caça e a coleta. A agricultura também se espalhou do leste para o oeste.

Ninguém sabe ao certo por que os olhos azuis se tornaram comuns entre os europeus antigos. Duas possibilidades são: pode ter ajudado a prevenir doenças oculares na baixa luz dos invernos europeus, ou olhos azuis eram vistos como atraentes em um parceiro.

Por fim, é importante notar que os pesquisadores descobriram mais sobre o homem mesolítico do que apenas sua aparência. Suas descobertas sugerem que ele tinha um sistema imunológico semelhante ao das pessoas que vivem hoje e era intolerante à lactose. A semelhança entre seu sistema imunológico e os humanos modernos também foi uma surpresa. Anteriormente, acreditava-se que muitos genes para imunidade também surgiram junto com a popularidade da agricultura - com a doença se espalhando mais rapidamente em assentamentos estacionários e contato próximo com animais. Uma sugestão para o motivo pelo qual os caçadores-coletores podem ter possuído genes de imunidade semelhantes é porque eles também foram expostos a doenças como a cólera.

 

quarta-feira, 13 de janeiro de 2021

Zeitgeist, Hórus e Jesus: A Desconstrução Histórica de um Mito Moderno

  

Imagem de Hórus (esquerda) e uma imagem bizantina de Jesus (direita)


Por Guilherme Bitencourt

Nas últimas décadas, sobretudo com a popularização da internet e de documentários pseudohistóricos como Zeitgeist, difundiu-se amplamente a ideia de que Jesus de Nazaré seria apenas um “plágio” de antigas divindades solares, especialmente do deus egípcio Hórus. Segundo essa narrativa conspiratória, o cristianismo teria sido apenas uma releitura romana de antigos mitos pagãos, construída artificialmente para controle político e religioso das massas.

Embora seja verdade que religiões antigas frequentemente compartilhassem símbolos, arquétipos e linguagens míticas semelhantes — especialmente no universo do Mediterrâneo e do Oriente Próximo — isso está muito distante da afirmação simplista e sensacionalista de que Jesus seria uma mera cópia de Hórus. O problema central do documentário Zeitgeist não está apenas em suas conclusões precipitadas, mas sobretudo em sua metodologia profundamente falha, marcada por anacronismos, citações inexistentes, deturpações filológicas, mistura arbitrária de tradições distintas e ausência quase completa de rigor acadêmico.

A principal estratégia do documentário consiste em criar uma longa lista de supostas similaridades entre Jesus e Hórus, apresentando-as como evidências irrefutáveis de plágio religioso. Contudo, quando essas alegações são confrontadas com textos egípcios autênticos, inscrições funerárias, papiros religiosos, estudos filológicos e pesquisas egiptológicas modernas, percebe-se rapidamente que grande parte dessas afirmações simplesmente não existe na mitologia egípcia original.

O documentário afirma, por exemplo, que Hórus teria nascido de uma virgem chamada “Meri”, possuindo um padrasto chamado Seth, numa clara tentativa de criar paralelos com Maria e José. Entretanto, nenhuma fonte egípcia antiga afirma isso. A mãe de Hórus era Ísis, esposa de Osíris. Após Osíris ser assassinado e esquartejado por seu irmão Seth, Ísis reúne os pedaços de seu corpo e, através de magia, concebe Hórus. Em diversas versões do mito, Ísis fabrica magicamente o órgão genital ausente de Osíris para completar o ritual de concepção. Portanto, não existe concepção virginal no mito egípcio; há, ao contrário, um complexo ritual funerário-mágico ligado à fertilidade, morte e regeneração.

Além disso, Seth jamais foi padrasto de Hórus. Seth era tio de Hórus e irmão de Osíris, ocupando na narrativa egípcia o papel de antagonista cósmico associado ao deserto, à violência e ao caos. A associação feita por Zeitgeist entre Seth e José simplesmente não possui qualquer sustentação textual ou arqueológica.

Outra alegação frequentemente repetida é a de que Hórus teria nascido numa caverna ou manjedoura, com seu nascimento anunciado por uma estrela e testemunhado por pastores guiados por anjos. Novamente, nenhuma fonte egípcia afirma isso. Nas tradições egípcias, Hórus nasce escondido nos pântanos do Delta do Nilo, onde Ísis o protege de Seth. Não existe estrela messiânica, anúncio angelical nem visita de pastores.

O documentário também afirma que Hórus teria ensinado aos doze anos, sido batizado aos trinta e possuído um “João Batista” posteriormente decapitado. Nada disso existe nos textos egípcios. Não há qualquer relato de Hórus ensinando em templos na infância, tampouco qualquer cerimônia equivalente ao batismo cristão. O suposto “Anup, o batizador” simplesmente não existe na religião egípcia antiga. Trata-se de uma invenção moderna sem qualquer respaldo documental.

Da mesma maneira, a afirmação de que Hórus possuía doze discípulos é falsa. Algumas tradições mencionam quatro seguidores chamados Heru-Shemsu, enquanto outras falam em grupos variados de acompanhantes divinos. O número doze jamais possui o papel central que possui nos evangelhos cristãos relacionado às doze tribos de Israel.

Zeitgeist também atribui a Hórus milagres tipicamente cristãos, como andar sobre as águas, expulsar demônios e ressuscitar mortos. Embora deuses egípcios realizassem atos sobrenaturais — algo comum em praticamente todas as religiões antigas — não existem narrativas específicas de Hórus reproduzindo esses milagres da maneira descrita nos evangelhos.

Outro problema grave reside na manipulação linguística realizada pelo documentário. Zeitgeist afirma que Hórus era chamado de “KRST”, “Messias”, “Filho Ungido de Deus”, “Verbo feito carne”, “Bom Pastor”, “Cordeiro de Deus” e “Luz do Mundo”. Nenhum desses títulos aparece nos textos egípcios antigos associados a Hórus. A palavra “KRST”, por exemplo, deriva provavelmente de “karast”, relacionada a sepultamento ou mumificação, e jamais significou “Cristo” ou “ungido”. O termo grego “Christós”, utilizado no Novo Testamento, deriva diretamente da tradição judaica messiânica ligada ao hebraico “Mashiach” — “ungido” — sem qualquer dependência etimológica egípcia.

Igualmente falsa é a afirmação de que Hórus teria sido crucificado entre dois ladrões, enterrado por três dias e ressuscitado. Não existe crucificação no Egito faraônico associada a Hórus. A crucificação era um método romano de execução desenvolvido muitos séculos depois do surgimento dos principais mitos horianos. Em algumas versões fragmentárias, Hórus sofre ferimentos, perde um olho ou enfrenta Seth em batalhas cósmicas, mas não existe paralelo estrutural com a paixão de Cristo narrada nos evangelhos.

A própria noção de “ressurreição” em contexto egípcio é profundamente diferente da tradição judaico-cristã. Na religião egípcia, a morte e o retorno estão associados a ciclos cósmicos, fertilidade agrícola, regeneração solar e continuidade espiritual no além-vida. Já no cristianismo do século I, a ressurreição possui forte dimensão escatológica, histórica e corporal, vinculada ao judaísmo do Segundo Templo e às expectativas apocalípticas judaicas.

Outro aspecto frequentemente ignorado pelos defensores dessas teorias é que os primeiros cristãos eram judeus profundamente monoteístas e hostis à idolatria pagã. O cristianismo primitivo emerge dentro do contexto religioso judaico do século I, marcado por expectativas messiânicas, tensões com Roma, debates farisaicos, apocalipticismo e interpretações das escrituras hebraicas. A matriz conceitual dos evangelhos está muito mais próxima de textos judaicos como Livro de Daniel, Livro de Isaías e da literatura de Qumran do que da cosmologia funerária egípcia.

Isso não significa negar completamente influências culturais indiretas entre civilizações antigas. O Mediterrâneo Antigo era um espaço de intenso intercâmbio religioso, filosófico e simbólico. Conceitos de morte e renascimento divino aparecem em múltiplas culturas, assim como figuras salvadoras, milagres e linguagem de redenção espiritual. Contudo, semelhanças superficiais não equivalem automaticamente a dependência literária direta ou plágio histórico.

Joseph Campbell, Mircea Eliade e Carl Jung demonstraram amplamente que certos arquétipos religiosos aparecem repetidamente em diferentes culturas porque refletem padrões universais da experiência humana. O nascimento miraculoso, o herói sacrificado, a luta contra o caos e a vitória sobre a morte são temas recorrentes da imaginação religiosa mundial. Reduzir isso a “copiou de outro” é ignorar completamente a complexidade da formação das religiões.

Além disso, muitos dos paralelos usados por Zeitgeist não vêm de fontes egípcias autênticas, mas de obras esotéricas do século XIX e início do século XX, especialmente de autores ligados ao ocultismo, teosofia e literatura anticristã popular. Diversas alegações do documentário remontam aos escritos de Gerald Massey e Kersey Graves, cujas obras são amplamente desacreditadas pela egiptologia acadêmica contemporânea devido a erros filológicos graves, interpretações fantasiosas e ausência de metodologia científica rigorosa.

Nem mesmo estudiosos críticos do cristianismo histórico sustentam seriamente as teses apresentadas por Zeitgeist. Acadêmicos céticos quanto à divindade de Jesus, como Bart D. Ehrman, rejeitam explicitamente a ideia de que Jesus seja mera cópia de Hórus ou de outros deuses solares. Ehrman demonstra que muitas dessas comparações são construídas artificialmente por meio de citações fora de contexto e falsificações históricas modernas.

Da mesma forma, egiptólogos renomados como James P. Allen, Jan Assmann e Erik Hornung jamais sustentaram que Jesus seja um plágio de Hórus. Pelo contrário, os estudos sérios sobre religião comparada ressaltam diferenças estruturais profundas entre a teologia egípcia faraônica e o cristianismo nascente.

Portanto, embora existam arquétipos universais compartilhados entre religiões antigas, a narrativa de que Jesus seria uma cópia direta de Hórus não resiste a uma análise histórica, filológica, arqueológica e teológica séria. O documentário Zeitgeist constrói sua argumentação sobre simplificações grosseiras, falsos paralelos, anacronismos e deturpações de fontes antigas.

A figura histórica de Jesus continua sendo objeto legítimo de debate acadêmico quanto à teologia, milagres e interpretação religiosa. Contudo, afirmar que Jesus foi “inventado” a partir de Hórus revela muito mais desconhecimento acerca da religião egípcia antiga e do judaísmo do Segundo Templo do que qualquer descoberta histórica real.

Bibliografia

The Search for God in Ancient Egypt — Jan Assmann.

Conceptions of God in Ancient Egypt — Erik Hornung.

Middle Egyptian — James P. Allen.

The Ancient Egyptian Pyramid Texts — James P. Allen.

The Early History of God — Mark S. Smith.

Did Jesus Exist? — Bart D. Ehrman.

Jesus: Apocalyptic Prophet of the New Millennium — Bart D. Ehrman.

The Historical Figure of Jesus — E. P. Sanders.

The Hero with a Thousand Faces — Joseph Campbell.

O Sagrado e o Profano — Mircea Eliade.

Moses the Egyptian — Jan Assmann.

The Oxford History of Ancient Egypt — Ian Shaw.

The Complete Gods and Goddesses of Ancient Egypt — Richard H. Wilkinson.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2021

A parcela de americanos que deixam o Islam é compensada por aqueles que se tornam muçulmanos


Por Besheer Mohamed e Elizabeth Podrebarac Sciupac

Como os americanos em muitos outros grupos religiosos, uma parcela significativa de adultos que foram criados como muçulmanos não se identifica mais como membros da fé. Mas, ao contrário de outras religiões, o Islam ganha quase tantos convertidos quanto perde.

Cerca de um quarto dos adultos que foram criados como muçulmanos (23%) não se identificam mais como membros da fé, quase o mesmo que a proporção de americanos que foram criados como cristãos e não se identificam mais com o cristianismo (22%), de acordo com uma nova análise do Estudo de Paisagem Religiosa de 2014. Mas enquanto a proporção de adultos muçulmanos americanos que são convertidos ao islamismo também é de cerca de um quarto (23%), uma parcela muito menor dos cristãos atuais (6%) são de convertidos. Em outras palavras, o Cristianismo como um todo perde mais pessoas do que ganha com a mudança religiosa (conversões em ambas as direções) nos Estados Unidos, enquanto o efeito líquido sobre o Islam na América é uma lavagem.

Muitos ex-muçulmanos agora dizem que não tem religião


Uma pesquisa do Pew Research Center de 2017 com muçulmanos dos EUA, usando perguntas ligeiramente diferentes das pesquisas de 2014, encontrou uma estimativa semelhante (24%) da proporção daqueles que foram criados como muçulmanos, mas deixaram o Islam. Desse grupo, 55% não se identificam mais com nenhuma religião, segundo levantamento de 2017. Poucos se identificam como cristãos (22%) e um adicional de um em cinco (21%) se identifica com uma grande variedade de grupos menores, incluindo religiões como o budismo, hinduísmo, judaísmo ou geralmente "espiritual".

A mesma pesquisa de 2017 pediu aos convertidos do Islam que explicassem, em suas próprias palavras, seus motivos para abandonar a fé. Um quarto citou questões de religião e fé em geral, dizendo que não gostam de religião organizada (12%), que não acreditam em Deus (8%), ou que simplesmente não são religiosos (5%). E aproximadamente um em cada cinco citou um motivo específico para sua experiência com o Islam, como ter sido criado como muçulmano, mas nunca se conectar com a fé (9%) ou discordar dos ensinamentos (7%) do Islam. Ações semelhantes listaram motivos relacionados à preferência por outras religiões ou filosofias (16%) e experiências de crescimento pessoal (14%), como tornar-se mais educado ou amadurecer.

Uma diferença marcante entre ex-muçulmanos e aqueles que sempre foram muçulmanos está na proporção de pessoas originárias do Irã. Aqueles que deixaram o Islam têm mais probabilidade de ser imigrantes do Irã (22%) do que aqueles que não mudaram de religião (8%). O grande número de ex-muçulmanos iraniano-americanos é o resultado de um aumento na imigração do Irã após a Revolução Iraniana de 1978 e 1979 - que incluiu muitos iranianos seculares em busca de refúgio político do novo regime teocrático.

A maioria dos convertidos ao Islam foram criados como cristãos


Entre aqueles que se converteram ao Islam, a maioria vem de formação cristã. Na verdade, cerca de metade de todos os convertidos ao Islam (53%) se identificaram como protestantes antes de se converterem; outros 20% eram católicos. E cerca de um em cada cinco (19%) disse que não tinha religião antes de se converterem ao islam, enquanto partes menores mudaram do Cristianismo Ortodoxo, Budismo, Judaísmo ou alguma outra religião.

Quando solicitados a especificar por que se tornaram muçulmanos, os convertidos fornecem uma variedade de razões. Cerca de um quarto disse que preferia as crenças ou ensinamentos do Islam aos de sua religião anterior, enquanto 21% dizem que leram textos religiosos ou estudaram o Islam antes de tomar a decisão de mudar. Outros ainda disseram que queriam pertencer a uma comunidade (10%), que o casamento ou um relacionamento foi o principal motivador (9%), que foram apresentados à fé por um amigo ou que estavam seguindo um líder público (9%).

Nos últimos anos, o número de muçulmanos americanos tem crescido continuamente, cerca de 100.000 por ano. Mas o fato de que a proporção de pessoas que entram e saem do Islam é aproximadamente igual sugere que as conversões de e para a fé têm pouco impacto no crescimento geral do grupo.